Mudanças Código de Trânsito e seus efeitos sobre a saúde dos condutores terão destaque no XIII Congresso Brasileiro de Medicina de Tráfego

Começa nesta quinta-feira (12), em Brasília (DF), o XIII Congresso Brasileiro de Medicina de Tráfego, II Congresso de Psicologia de Tráfego e I Fórum Brasileiro de Educação e Saúde no Trânsito. O evento, que reunirá no Centro Internacional de Convenções no Brasil autoridades, parlamentares e especialistas em trânsito, abrirá espaço para discussão sobre o Projeto de Lei nº 3.267/2019, que prevê mudanças relevantes em diferentes pontos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

 

Em entrevista ao site da Abramet, o presidente desta edição do evento, Geraldo Gutemberg, contou sobre o processo de escolha dos temas da programação, a importância da participação dos médicos de tráfego no evento, as novidades para essa edição e ainda sobre o cenário político atual, especialmente em virtude da apresentação do PL 3.267/19 pelo Governo Federal.

 

“Esta edição do congresso será diferente. Os palestrantes realizarão apresentações com duração de trinta a quarenta minutos e os congressistas também poderão falar, coisa que não ocorreu anteriormente. Vamos fazer todas as palestras de forma interativa, então, as pessoas terão a oportunidade de perguntar e sanar suas dúvidas”, disse o especialista.

 

O Congresso é uma realização da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego (Abrapsit), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).

 

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Geraldo Gutemberg:

 

  1. Qual a importância do XIII Congresso Brasileiro de Medicina de Tráfego, tendo em vista o atual cenário político e as possíveis mudanças no Código Brasileiro de Trânsito (CTB)?

 

A necessidade desse grande evento ser realizado em Brasília (DF) sempre foi debatida na Abramet, principalmente porque nós dependemos do Congresso Nacional para a elaboração e revisão das leis que regem o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). É de suma importância essa realização na capital do País, pois propicia uma aproximação das evidências e dados científicos com os políticos e especialistas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e Ministério da Infraestrutura, por exemplo. Esse ano, temos a oportunidade de finalmente realizar o evento na capital, justamente quando surgem as propostas de mudanças para o CTB, por meio da PL 3.267/2019, feitas pelo Governo Federal. Um engano do projeto é achar que, ao alterar para dez anos o período de renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), diminuirá custos para os condutores. Nos últimos três anos foram gastos R$ 3 bilhões do Sistema Único de Saúde (SUS) com pronto-socorro e hospitais de trauma. Entendemos que essa mudança vai acarretar mais acidentes e atropelamentos, sobrecarregando ainda mais sobrecarga o SUS, além da previdência, com aposentadorias precoces. Esperamos que as mudanças que venham a ser realizadas no CBT sejam para favorecer os condutores, motociclistas e pedestres.

 

  1. Quais as expectativas em relação aos painéis relacionados ao Projeto de Lei 3.267/2019 dentro do evento?

 

A grade do Congresso foi elaborada com muita acurácia e dedicação, a fim de levar a Abramet para mais perto do médico de tráfego. Além disso, na última reunião da Comissão Científica decidimos inserir as mesas sobre a PL, na qual todos os que estiverem presentes poderão participar. Eu serei o coordenador de um dos painéis e contaremos com a presença de autoridades públicas, como deputados, senadores, além de especialistas do Denatran e do Conatran. Será uma discussão de extrema relevância. A Abramet tem trabalhado diuturnamente em cima desse projeto. Temos dialogado junto aos políticos, principalmente com os deputados, e será formada uma comissão especial para debater o assunto. Temos orientado também os médicos de tráfego a participarem do evento para ficarem atualizados sobre os mais recentes desdobramentos acerca do projeto de lei. A espinha dorsal do Projeto de Lei é a questão do prazo de validade dos exames de aptidão física e mental (de cinco para dez anos), além do local para sua realização. Os locais de realização dos exames para condutores de veículos automotores devem ser de atividade médica exclusiva para este tipo de procedimento.

 

  1. Quais os critérios que nortearam a escolha dos temas e palestrantes desta edição?

 

Desde o ano passado, temos realizado jornadas em cidades como Brasília, Campinas, São Paulo e temos também uma rede de comunicação com os associados. A partir disso, fizemos pesquisas sobre quais temas eles queriam que fossem abordados. Portanto, grande parte dos temas encontrados na grade foram escolhidos em conjunto com os especialistas associados à Abramet de todo o Brasil. Por exemplo, a questão do paciente idoso, com déficit cognitivo, foi um assunto que conquistou mais de 50% dos votos, porque os colegas estão muito preocupados com esse tipo de paciente, visto que hoje as pessoas estão vivendo por mais tempo. Atualmente, é possível encontrar na nossa prática médica muitos pacientes com 70 ou 80 anos e isso não era comum anos atrás.

 

  1. No congresso, é prevista a realização do Fórum Brasileiro de Educação e Saúde no Trânsito. Qual o objetivo e a relevância deste tema para os especialistas?

 

Esse é um dos tópicos de maior relevância. Esse Fórum será aberto e reunirá profissionais de diferentes entidades que trabalham cotidianamente com os médicos de tráfego. Na oportunidade, teremos a presença do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Trânsito (Focotran), que é uma associação que reúne todos os Conselhos Nacionais de Trânsito (Cetrans). Além disso, contaremos com a Associação Nacional dos Detrans (AND), que reúne todos os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) do Brasil, para discutir sobre o CTB num ambiente em que todos sejam ouvidos e tenham a oportunidade de contribuir. Após esse Fórum, vamos reunir todos os pontos levantados e acordados para a formação de um Projeto de Lei para o CTB, que visamos apresentar aos deputados.

 

  1. Além da realização do Fórum sobre educação, há alguma outra novidade na grade científica nesta edição?

 

Nós entendemos que dessa vez o Congresso vai ser diferente. Os palestrantes realizarão apresentações com duração de trinta a quarenta minutos e os congressistas também poderão falar, coisa que não aconteceu das outras vezes. Vamos fazer todas as palestras como se fossem um evento interativo. As pessoas terão a oportunidade de perguntar e sanar suas dúvidas. Essa inovação está fundamentada no entendimento de que alguns especialistas trabalham em locais mais distantes, ou em diversos turnos e, por isso, não conseguem se atualizar constantemente. Para eles, o Congresso é uma das principais formas de conhecer as mudanças mais recentes nas pesquisas científicas e nas leis, enfim, de se informarem sobre o que está acontecendo na área. O evento também será uma oportunidade de congregar colegas e realizar um intercâmbio de experiência com profissionais de vários lugares. A grade científica também terá muita coisa nova. Nós vamos explicar o que é uma junta médica e simular como ela funciona. Queremos fazer com que os colegas realmente se sintam uma parte importante e ativa do evento.

 

  1. Somente os médicos e psicólogos do tráfego são público-alvo do evento ou outros profissionais da saúde podem participar? Haverá algum tema que é de interesse de outras especialidades ou profissionais de outras áreas?

 

A medicina de tráfego está inteiramente ligada a outras especialidades. Como médico de tráfego você tem que saber de oftalmologia, neurologia, otorrinolaringologia. Sendo assim, entendemos que o evento é aberto a todos esses especialistas e áreas correlatas. Nós acreditamos que terão colegas de várias áreas, assim como estudantes com interesse em conhecer mais sobre a nossa especialidade. A expectativa é acolher cerca de 1.300 participantes no evento.

 

  1. Poderia destacar alguns dos temas relevantes que serão debatidos no evento?

 

São inúmeros os temas relevantes e devem contribuir de maneira significativa para o aperfeiçoamento dos congressistas. Desde assuntos mais triviais, da oftalmologia e otorrinolaringologia - importantes porque abordam os sentidos necessários para dirigir - até debates sobre algumas doenças mais específicas, como epilepsia, diabetes, lúpus, insuficiência renal e outras relacionadas. Contudo, o ponto-chave do nosso Congresso vai ser a participação efetiva de todos os presentes para que eles possam sanar todas as dúvidas.

 

  1. O senhor gostaria de acrescentar ou destacar algo sobre o XIII Congresso Brasileira de Medicina de Tráfego que não tenha sido perguntado?

 

Gostaria de convidar todos os colegas para participar do Congresso, mesmo aqueles que não trabalham com a Medicina de Tráfego, mas que tem interesse em saber mais sobre a área. Nós, médicos de tráfego, temos uma responsabilidade enorme porque autorizamos uma pessoa a conduzir um veículo e lidamos com diversos fatores da saúde que determinam a capacidade de um indivíduo dirigir, por exemplo, um ônibus onde cabem 45 pessoas.